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Poetize um anúncio,
Anuncie um poema,
Publique em jornais, internet,
Pregue em todos os murais,
Desloque a poesia do meio legitimador,
Subverta seu lugar tradicional,
Não espere o leitor, vá a ele,
Torne a poesia presente, provoque,
Num lugar inesperado,
Um anúncio inclassificável. |
Alugo meu corpo a quem
Alugar-me o seu também.
Cobro e só pago tanto,
Que amor nunca foi quanto. |
Vendo tristeza sem fim.
Garanto melancolia
Desde o princípio da noite
Até o ocaso do dia.
Ou troco por alegria
Em noites de carnaval. |
Procuro um asilo, um abrigo,
Local de descanso qualquer.
Pousada, albergue, casebre que seja.
P'ra que meu coração não pereça.
Esse meu músculo maçado
procura repouso de um amor malogrado. |
Compro um amor verdadeiro.
Pago bem, mas sem dinheiro.
Troco palavras com cheiro,
Cor ou verbo de ação.
Conversa eu jogo fora.
Dou de graça conselho. |
Troco coração vazado
Por um outro sem reparo.
É surrado, porém forte.
Firme, bom porte. Não falha.
Motivo:
Meu coração é mortalha! |
Compro lote na lua.
De frente, e não crescente,
Que não posso esperar.
E rogo pena á quem
Diga ser lua nova
O que deu tanta volta.
Quero ela cheia, pois,
Aqui está tudo à míngua.
E vista para a terra
Para lembrar-me sempre
- Razão do meu sofrer -
Deste acaso infligido:
Que eu, embora lunático,
Fui na terra nascer. |
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