TRIBUTO AO VERBO
Para o bem da palavra é bom que se diga, posto que tudo do verbo nasce, seja o que seja... Ou como foi que papai-mamãe te geraram? Sim, sim, mas tudo aconteceu pelas palavras que trocaram ou por... Bueno, que seja,... já estás.
Para o bem da palavra é bom que se diga, posto ser ela nossa mais clara distinção dos outros animais - e é a mais impressionante e nefasta criação do homem. Que se lhe dê o devido valor, nem mais nem menos. Apenas o devido valor de manifestação divina por um lado e do mais efêmero capricho humano por outro, posto por ela só ser capaz de curar, matar, afastar ou aproximar, erigir impérios e ao tempo torná-os escombros.
Para o bem da palavra é bpm que se diga, posto ser o que deles restou, como carimbo de seu tempo. Eles que de seus feitos recriaram o mundo sempre, fosse de fato ou de direito, com incidência jurídica ou no mundo natural. Viveram seu lugar e habitam seu futuro. Poetas e profetas que da palara fizeram senda em concreta conjugação do verbo amar. Tenho dito.
A ÚLTIMA TENTATIVA
Tente, pela última vez tente, mesmo que lhe pareça um atentado reincidir no erro! Uma dentada na maçã mesmo que esteja bixada, afinal o banquete já fora servido, primeiro na casa de Platão, fora servido na casa de Danton, depois. Vamos, sirva-se deste lauto pois o soro antiofídico já está nas farmácias e esta letrinha não é serpente, apenas um bichinho na maçã. Vamos, tente outra vez, por mais que perca o mérito de originalidade tente, mesmo sendo imitação de Raul, tente... Pois melhor que esteja bixada que envenenada por aviação agrícola.
INCURSÃO PRIMEIRA A TERRA
Para o bem da verdade é bom que se diga. Não passa tudo de mera invenção... Tão virtual quanto qualquer realidade concreta e real como a realidade virtual. Tudo pura brincadeira, jogo de palavras... Palavra! Dou minha palavra que assim é na minha imaginação, onde constato o divino na coexistência pacífica dos mais ferozes e [ ] dragões e frágeis e esvoaçantes borboletas. O divino jardim das fantasias em que me movo pelo concreto mundo jurídico em que, palavra, me sinto lavrador. Não, não no preparo da semeadura. Não tenho tal capacidade, por faltar-me preparo físico. Então me contento em lavrar esta escritura de posse poética.
Sucederam-se não muitos acontecimentos que se tornava impossível distinguir sua origem e a natureza da matéria que os compunha. Arriscou-se um poeta a sugerir que os deuses jogavam. E estavam em plena revanche de maneira que o desespero vez por outra lhes aflorava em palavras que possuíam veneno. As rodadas aceleravam-se cada vez mais até disputarem com a luz seu momento de jogar os dados. E eis que lhes foi a chance quando o mais afoito exacerbou pra força rolando o dado para fora da mesa em que jogavam os deuses, topando justo na cabeça do mais débil daqueles casernícolas.
Sucedeu-se então o nascimento do primeiro de todos... Delirantes. O mais despreparado de todos, covarde no mais das vezes que lhe incumbiam qualquer tarefa [...] contra. Contra a pedra que tateou de maneira tão eficaz que o fruto de sua obra habita passiva o mundo de uma de tantas casernas, às quais costumam voltar sempre em peregrina homenagem ao primeiro de todos... O primeiro dos delirantes que, ferido pelo dado com o qual jogavam os deuses, arremessou-me trágico e contundente como o é a márti do mar na praia, aos braços de seu amor após concluída a obra. Que descansem os deuses de seu jogo.
CUIDADO COM OS PILARES
O cabelo de Sansão cresceu e se vem abaixo toda cultura, no mais espetacular demoronamento que a historiografia oficial jamais registrou. O Tigre Asiático despertou, se espreguiçou e observa relaxadamente o panorama a sua volta enquanto Tigresa de Unhas Negras faz a higiene vespertina dos filhotes, que cambaleiam em busca de teta. E nós comemoramos "nuestra dulce decadence" posto não ser mais possível... Tanta hipocrisia e dissimulação. A arte! A arte! Alarde o Último Apaixonado enquanto Sansão sorri de canto de boca pedindo o Último cigarrito a sua fiel traidora Dalila. Dale Sansão!
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