OS HERÓIS DA FANTASIA E OS HERÓIS DA REALIDADE
A Cruz de Souza
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Sabes bem, caro leitor, desde que a razão sobrepujou a fantasia, que heróis não existem nesse mundo destes dotados de poderes sobre-humanos. Destes heróis épicos que escreveram os antigos e eruditos ou heróis como se lia na infância, que me vem agora como traços de fumaça de um fogo que se extingui, dos gibis, dos cinemas, das fantasias de carnaval, nomes superlativados, aparências inumanas e anti-anímicas. Não quero ser responsável por dissipar tua fantasia. Ao contrário, o que pretendo é tão somente animá-la, assim expandi-la.
Porque vou fazê-lo convencer-se de que existem heróis, de fato, se o conceito de herói de que se fala abraça o homem real, mortal, comum, insignificante por vezes. Conhecemos pelo menos uma vez na vida um desses heróis. Nós mesmos sempre temos um herói latente por dentro que alguma vez certamente emergirá.
Não são todos os heróis que se fazem ao acaso. Existem os “heróis institucionais”. Sujeitos que fazem do heroísmo profissão. Lembremos dos bombeiros com especial admiração, dos médicos, dos guarda-vidas.
Acho mesmo que deveria existir um ministério do governo para os heróis brasileiros. Chamar-se-ia “Ministério dos Heróis”. Um ministério que seria incumbido de prestar honras e fomentar os heróis no nosso país e no que fosse possível ajudá-los para que possam ser heróis de forma plena. Fariam então um cadastro nacional de heróis. O próprio ministério seria, veja o leitor, um herói. Porém um herói sem face. Um “ministério-herói”. Mas um herói. O herói de todos os heróis. Quem sabe.
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